No jardim de memórias indeléveis
vejo seu rosto de mãe amada.
Escuto o som longínquo do piano
e, em meio ao vento, seu divino riso cristalino.
Sinto sua mão protetora em meus cabelos
e evoco a presença saudosa.
Ainda ouço seu afinado canto meigo
nas noites chuvosas de eternos medos.
Trilho os caminhos de violetas e gerânios
impregnados com os perfumes de sua vida.
Subo os montes de seus ideais
junto às fontes gélidas dos bosques dourados.
Sou aquela criança magra que criou
como planta querida regada de amor.
O caçula da fértil semeadura
nos poeirentos campos perdidos.
A brisa, sua especial amiga, sopra
os segredos que contou para as plantas.
Limpa lágrimas translúcidas
e me traz notícias distantes de você.
Entre as folhas de todos os verdes
habitam seus sonhos e desejos.
Germinam com a umidade do orvalho,
voando nas asas sibilantes dos beija-flores.
Caminho pelo seu jardim belo e complexo
e no reflexo da claridade difusa da tarde outonal
vejo seu rosto em meio aos galhos do pinheiro
onde, bem alto, pousa um bem-te-vi.
© Copyright 2005-2012, Carlos Zarur. Direitos autorais reservados.