El Pingüino

Carlos Zarur . 11 de Dezembro, 2006

*artigo publicado no site www.abcpolitiko.com.br

O Presidente Nestor Kirchner, da Argentina, aparentemente sem fortes concorrentes, prepara, desde já, a campanha eleitoral para continuar no cargo a partir do final de 2007.

Kirchner, chamado carinhosamente pelo povo de “El Pingüino”, vem com tudo. Raramente um presidente argentino, eleito democraticamente, teve tanto poder e tanta popularidade. Depois de diversos desastres que culminaram com a renuncia de Fernando de la Rúa e com a transição de Eduardo Dualde, Kirchner, ex-governador de uma pequena província do interior, assumiu o governo em meio à séria crise que chegou a ameaçar de insolvência a economia argentina.

Populista, mas firme quando precisou ser, tirou o país da crise – hoje a Argentina cresce em torno de 9% ao ano. Soube nos piores momentos e com inteligência, criar inimigos externos - por algum tempo , até mesmo o Brasil - para asseverar o arraigado nacionalismo do povo argentino. Agora, briga com outro vizinho, criticando severamente o Uruguai pela construção de uma fábrica de celulosa à beira do Rio da Prata, que corre na fronteira dos dois países. Crise que, obviamente, não será resolvida até às eleições presidenciais de outubro de 2007.

Hoje, Kirchner corre como franco favorito. As pesquisas de opinião lhe dão uma folgada dianteira, sendo que sua imagem positiva ronda 60%, bem acima de seus potenciais adversários.

Há, porém, do outro lado, uma costura para se criar uma frente ante Kirchner, comandada pelo também popular ex-ministro da economia, Roberto Lavagna. Lavagna tenta buscar uma aliança com a direita, liderada pelo deputado e presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, e também com setores do próprio peronismo, distanciados do governo, como o grupo do ex-presidente, Eduardo Dualde.

Como última peça deste quebra-cabeças, a volta de Menen , que foi eleito senador e já disse que vai se candidatar à presidência em 2007. Anunciou suas intenções em uma entrevista de televisão realizada por sua mulher, a chilena e ex-miss universo Cecilia Bolocco. Contra Carlos Menen pesam sérias acusações e o ex-presidente responde a diversos processos. De qualquer maneira, apesar de muitos argentinos associarem o governo de Menem com corrupção e com o colapso econômico do país em 2001, ele ainda tem muitos simpatizantes.

Caso eleito, Nestor Kirchner, fechará a guinada esquerdista nas últimas eleições realizadas na América Latina. Podemos contabilizar só três recém eleitos de direita ou centro-direita: no México, Felipe Calderón; na Colômbia, Álvaro Uribe e na Guiana, Bharrat Jagdeo.

De esquerda, ou centro-esquerda, foram recém eleitos 7 presidentes: no Chile, Michelle Bachelet; no Peru, Alan Garcia. Daniel Ortega, na Nicarágua; Lula, no Brasil e finalmente o trio da “nova esquerda” liderada por Hugo Chaves da Venezuela, a bordo de sua “revolução bolivariana”. O próprio Chávez e os seus liderados: Evo Morales, da Bolívia e Rafael Correa, do Equador.

Devemos lembrar, no entanto, que dentro deste cenário estão representadas diversas esquerdas. Há, por exemplo, as que fizeram a transição do socialismo revolucionário para uma postura mais pragmática e moderada, social-democrata, que aceita a economia de mercado e dá ênfase às políticas sociais, numa espécie de terceira via. Neste grupo, estariam: os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva; Tabaré Vázquez, do Uruguai; e Michelle Bachelet, do Chile.

O Presidente Kirchner está entre estas duas correntes. Dosa medidas econômicas ortodoxas com outras não-ortodoxas. Impõem um forte matiz político à economia.

Neste diapasão, sendo um dos mais populares presidentes das Américas, Nestor Kirchner - El Pingüino - prepara cuidadosamente o terreno para sua reeleição, pois na velha e emocional política Argentina nunca se sabe direito o que vai acontecer daqui a 11 meses.

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