Volta Por Cima

Carlos Zarur . 13 de Julho, 2007

Publicado tambémno site www.abcpolitiko.com.br

O ex-ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, por justiça, deveria reassumir o cargo, depois de ter sido vítima de um verdadeiro linchamento público, no bojo das acusações de que teria recebido propina como beneficiário de suposto esquema de fraudes em licitações. Aos poucos tudo vai se esclarecendo na direção de sua inocência.

As notícias começaram a respingar em Rondeau quando a polícia federal prendeu, durante a Operação Navalha, Ivo Almeida Costa, assessor do gabinete do então ministro. A PF havia recolhido fitas gravadas por câmeras do serviço de segurança do Ministério. As imagens mostravam uma funcionária da Gautama, Fátima Palmeira, entrando no ministério pelo elevador privativo no dia 13 de março. Ela carrega um envelope dentro do qual a PF acreditava que estavam R$ 100 mil. Entretanto, o perito Ricardo Molina, da Unicamp, analisou o vídeo e concluiu que se tratava de uma folha em branco ou, no máximo, um envelope vazio.

Na verdade, não havia nenhuma prova contundente para que o Ministro fosse acusado e execrado frente à opinião pública. A história simplesmente se repetia, como aconteceu no caso de Henrique Hargreaves, que renunciou ao cargo de Ministro Chefe do Gabinete Civil do governo Itamar Franco, também sob acusações que, posteriormente, se provou não serem verdadeiras. Hargreaves foi nomeado outra vez para o mesmo cargo e voltou a ocupar o Gabinete do quarto andar do Palácio do Planalto. Deixou o poder, juntamente com Itamar, levando na bagagem uma história rica de realizações.

Era de se esperar, como constatado recentemente por especialistas, que no tal envelope não caberiam, de acordo com as imagens, os tais 100 mil. Foram deduções precipitadas que vazaram, não sabemos por qual motivo, e levaram o Ministro a se demitir interrompendo importante trabalho, eminentemente técnico, na estratégica área energética.

Silas Rondeau é um homem simples e está muito longe de ser uma “criatura política”. É, na verdade, um profissional que entende profundamente da área que comandava até as frágeis acusações que o derrubaram. Sua vida sempre foi dedicada ao setor elétrico, cuja linguagem fala com total intimidade. Calcou todos os degraus de sua profissão até chegar a Ministro. Foi, entre outros cargos, Presidente da Manaus Energia, Presidente da Boa Vista Energia, Presidente da Eletronorte e Presidente da Eletrobrás, sempre com acentuado matiz técnico de competência.

Depois que tudo estiver completamente esclarecido, creio que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso volte a nomear o seu ex ministro das Minas e Energia para o cargo, estará fazendo justiça e trazendo outra vez, ao seu governo, competente colaborador que poderá, mesmo depois da tempestade que perturbou profundamente sua vida, continuar trabalhando em prol de área tão essencial.



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