Abram as janelas
Deixem-nos voar
Entre as nuvens brancas
Junto aos pássaros e o mar
Libertem nossas almas negras
Em raso sobrevôo sob as estrelas
As águas azuis e o infinito
As serras altas de rios frios
Cantem com os pássaros coloridos
Na noite? Com os coaxares dos sapos
Dos gordos cururus misteriosos; tardios
Entoem as canções das óperas intensas
Os cheiros durante este vôo oblíquo
Vêm através dos orvalhos noturnos
Dos lençóis entre paredes caiadas
Das vidas encolhidas e sofridas
Pelas frestas das portas rústicas
Cantam os ventos oceânicos
Num enfumaçado de velas translúcidas
Sujas pela pesca das almas diuturnas
Mulheres entoam seus cantos rígidos
Nas madrugadas de estrelas mortiças
Junto às areias de rastros finos
Ao calor dos fogareiros acolhedores
Flutuamos as ondas cintilantes
Tecendo as redes da sorte
Que amanhã serão testemunhas do amor
Do primeiro nascer e da última morte
Planamos pelo ar oxigenado e azul!
© Copyright 2005-2010, Carlos Zarur. Direitos autorais reservados.